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Plástico
(A Primeira Noite)
Pedro Figueiredo

The Graduate, que recebeu o muito desinteressado
título português A Primeira Noite, é um
filme sobre angústia, solidão, carência, e
plástico. Abre com o regresso de Benjamin (Dustin Hoffman,
em início de carreira) a casa dos pais, após ter
terminado a universidade, numa sequência que Tarantino viria
a homenagear, como soi dizer-se, em Jackie Brown. Benjamin, apavorado
e confuso, tenta decidir o que fazer da vida e da carne. Não
creio que chegue a decidir porra nenhuma, mas vai fazendo disparates
(designadamente sexo) e vai desenvolvendo sentimentos (optimisticamente,
amor) ao som de Simon & Garfunkel. Não parece mesmo
nada, mas é uma comédia. Uma dorida comédia.
O crítico dirá que tal se deve ao facto de a vida
ser uma coisa dolorosa mas cómica, ou talvez dolorosa porque
cómica. E dirá que é um filme de geração,
totalmente datado. Eu,que não sou crítico mas ainda
respiro, digo que vi bastantes filmes bem melhores do que este,
mas poucos de que goste mais do que deste. Talvez que a frase não
faça grande sentido. Talvez que o filme também não.
Mas há poucas coisas que façam sentido na vida para
além do riso e do plástico.
Serviços de valor acrescentado:
- Art Garfunkel (o Garfunkel dos Simon & Garfunkel)
seria, poucos anos volvidos, um dos protagonistas de um outro filme
do mesmo Mike Nichols, chamado "Iniciação Carnal".
Nunca vi. Tenho medo que o iniciado seja o Garfunkel, e que a carnalidade
seja exposta.
- Para os leitores com menos reflexos, com software
menos adequado, ou sem pilhas no telecomando: sim, avançando
fotograma a fotograma consegue ver-se a Anne Bancroft nua. E não
digam que é um duplo, que eu perdi uma tarde nisto e mereço
alguma compensação.
Classificação: 
A Primeira Noite (The Graduate )
De: Mike Nichols
Com: Anne Bancroft, Dustin Hoffman, Katharine
Ross
Origem: Ano: 1967
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Polícia Violento
Renato
Carreira

A postura do cidadão comum perante o agente
policial alterna entre dois grandes moldes genéricos. Por
um lado, quando nos sentimos oprimidos pela lei e pelos seus executores,
achamos que estão por todo o lado, à caça
das nossas falhas e com a punição pronta. Quando é o
outro extremo do espectro a oprimir-nos, a coisa muda de figura
e parece-nos que os polícia nunca estão onde são
precisos e nunca são tão duros como deveriam ser.
Azuma, o protagonista de Polícia Violento agradaria
aos cidadãos que se deixam dominar temporariamente por este
estado de espírito. Aos outros, nem por isso. Bem-humorado
entre amigos e colegas, sempre de sorriso pronto e palavra afável,
irmão extremoso de uma jovem com problemas psiquiátricos,
transforma-se perante os malfeitores (e o seu conceito de malfeitor é muito
abrangente) num bruto implacável que prefere pontapear alguém
nos dentes primeiro e pensar no assunto depois. Primeiro filme
realizado por Takeshi Kitano, provavelmente com o recorde para
maior número consecutivo de tabefes aplicados a uma mesma
personagem (vinte e três).
Classificação: 
Polícia Violento (Sono Otoko, Kyôbô ni
Tsuki)
De: Takeshi Kitano
Com: Takeshi Kitano, Maiko Kawakami, Makoto Ashikawa
Origem: Ano: 1989
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