cartaz

Hellboy 2: O Exército Dourado

(Hellboy 2: The Golden Army)

2008

M/12

120 min.

De: Guillermo del Toro

Com: Ron Perlman, Selma Blair, Doug Jones

Superhero Movie

2008

M/12

85 min.

De: Craig Mazin

Com: Drake Bell, Sara Paxton, Christopher Macdonald

Aquele Querido Mês de Agosto

2008

M/12

145 min.

De: Miguel Gomes

Com: Sónia Bandeira, Fábio Oliveira, Joaquim Carvalho

WALL.E

2008

M/6

97 min.

De: Andrew Stanton

Com: Fred Willard, Jeff Garlin, Ben Burtt (vozes)

Olho Vivo

(Get Smart)

2008

M/12

110 min.

De: Peter Segal

Com: Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson

Ficheiros Secretos: Quero Acreditar

(The X-Files: I Want to Believe)

2008

M/12

104 min.

De: Chris Carter

Com: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet

O Estado Mais Quente

(The Hottest State)

2006

M/12

117 min.

De: Ethan Hawke

Com: Mark Webber, Catalina Sandino Moreno, Michelle Williams

Baile de Outono

(Sügisball)

2007

M/12

123 min.

De: Veiko Õunpuu

Com: Rain Tolk, Tavi Eelma, Sulevi Peltola

Capítulo 27

(Chapter 27)

2007

M/12

100 min.

De: J.P. Schaefer

Com: Jared Leto, Judah Friedlander, Lindsay Lohan

A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão

(The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor)

2008

M/12

114 min.

De: Rob Cohen

Com: Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello

O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Knight)

2008

M/12

150 min.

De: Christopher Nolan

Com: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart

Eu Servi o Rei de Inglaterra

(Obsluhoval Jsem Anglického Krále)

2006

M/12

120 min.

De: Jirí Menzel

Com: Ivan Barnev, Oldrich Kaiser, Julia Jentsch

Macacos no Espaço

(Space Chimps)

2008

M/6

81 min.

De: Kirk De Micco

Com: Andy Samberg, Cheryl Hines, Jeff Daniels (vozes)

As Crónicas de Nárnia: O Príncipe Caspian

(The Chronicles of Narnia: Prince Caspian)

2008

M/6

147 min.

De: Andrew Adamson

Com: Ben Barnes, Skandar Keynes, William Moseley

Joy Division

2007

M/16

93 min.

De: Grant Gee

Vigilância

(Surveillance)

2008

M/18

98 min.

De: Jennifer Lynch

Com: Julia Ormond, Bill Pullman, Pell James

Grande Moca, Meu! A Fuga

(Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay)

2008

M/16

102 min.

De: Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg

Com: Jon Cho, Kal Penn, Neil Patrick Harris

Tropa de Elite

2007

M/16

115 min.

De: José Padilha

Com: Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira

Procurado

(Wanted)

2008

M/16

110 min.

De: Timur Bekmambetov

Com: James McAvoy, Morgan Freeman, Angelina Jolie

Os Amores de Astrea e de Celadon

(Les Amours d'Astrée et de Céladon)

2007

M/12

109 min.

De: Éric Rohmer

Com: Andy Gillet, Stéphanie Crayencour, Cécile Cassel

O Panda do Kung Fu

(Kung Fu Panda)

2008

M/4

93 min.

De: John Stevenson e Mark Osborne

Com: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie (vozes)

Hancock

2008

M/12

95 min.

De: Peter Berg

Com: Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman

Houdini – O Último Grande Mágico

(Death Defying Acts)

2007

M/12

97 min.

De: Gillian Armstrong

Com: Catherine Zeta-Jones, Guy Pearce, Timothy Spall

O Meu Irmão é Filho Único

(Mio Fratello è Figlio Unico)

2007

M/12

100 min.

De: Daniele Luchetti

Com: Elio Germano, Riccardo Scamarcio, Angela Finocchiaro

Obsessão Mortal

(The Flock)

2007

M/18

105 min.

De: Wai-keung Lau

Com: Richard Gere, Claire Danes, Ed Ackerman

Padrinho... Mas Pouco

(Made of Honor)

2008

M/12

101 min.

De: Paul Weiland

Com: Patrick Dempsey, Michelle Monaghan, Kevin McKidd

O Acontecimento

(The Happening)

2008

M/12

91 min.

De: M. Night Shyamalan

Com: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo

Alexandra

(Aleksandra)

2007

M/12

95 min.

De: Aleksandr Sokurov

Com: Galina Vishnevskaya, Vasily Shevtsov, Raisa Gichaeva

Sexo e a Cidade

(Sex and the City)

2008

M/12

148 min.

De: Michael Patrick King

Com: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

(Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull)

2008

M/12

124 min.

De: Steven Spielberg

Com: Harrison Ford, Karen Allen, Cate Blanchett

O Segredo de Um Cuscuz

(La Graine et le Mulet)

2007

M/12

151 min.

De: Abdel Kechiche

Com: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache

Em exibiÇÃO

WALL.E

Renato Carreira

O último capítulo da saga "vamos fazer o melhor filme de animação computorizada de todos os tempos" em que os estúdios Pixar se aplicam há vários anos (com uma intromissão gorda, verde e monstruosa da Dreamworks) e de que não abdicam, nem mesmo depois das inúmeras ocasiões em que conseguiram atingir o objectivo, é o mais recente detentor temporário do título. Tantos foram já os destronados anteriores e tão elevados os seus méritos que se torna bastante provável que Wall.E esteja apenas de passagem pelo topo até ser remetido para segundo plano pela próxima mistura de maravilha tecnológica e competência cinematográfica. À semelhança de filmes anteriores da Pixar, Wall.E vem com mensagem-brinde incluída no pacote. Num futuro distante, a Terra foi evacuada para permitir a limpeza do lixo que a cobre. Os humanos embarcam numa gigantesca nave espacial, uma espécie de luxuoso paquete de férias, onde se dedicam ao ócio, à gula e à imobilidade quase total até que máquinas concebidas para o efeito terminem a limpeza. Mas o plano corre mal e o único destes robôs que permanece activo prossegue a sua solitária e inútil tarefa, adquirindo tiques de personalidade e tendo por companhia uma barata, o único animal que se vê na grande lixeira terrestre. Até que, um dia, aterra uma nave trazendo um robô modernaço e de linhas aerodinâmicas por quem Wall.E fica perdido de amores.

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DVD

Em Paris

Renato Carreira

Numa manhã fria e escura de Inverno, Jonathan observa a cidade da varanda do apartamento que partilha com o pai e o irmão. Após alguns segundos, olha brevemente para a câmara e segue esse olhar com um outro, mais assumido, voltando-se para o espectador e confessando-nos o que lhe vai na alma. Depois, volta a remeter-se à sua condição de simples personagem. Diz-nos que está no seu direito. O irmão, Paul, está profundamente deprimido depois de um achaque amoroso. Jonathan tenta convencê-lo a vir numa incursão a uma rua comercial para ver as montras e a decoração natalícia, como faziam anos antes. Não consegue. Paul fica em casa a saborear a depressão e procurando escapar às doses de caldo de galinha receitadas pelo pai. Enquanto isso, a caminho do objectivo, Jonathan vai tendo uma grande tarde. Acerca de Em Paris, alguém com vocabulário limitado e pouco talento retórico (como eu) poderia dizer tratar-se de um filme sobre as relações que se formam entre as pessoas, entre amantes, entre pais e filhos, entre irmãos, sobre a forma como essas relações se fracturam, se reconstroem e voltam a fracturar-se em ciclo de conclusão indefinida ou mesmo improvável. Mas não vou dizer nada disto. Porque estou amuado, pronto.

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Em Paris (Dans Paris)

De: Christophe Honoré

Com: Romain Duris , Louis Garrel, Guy Marchand

Origem: Ano: 2006

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Em exibiÇÃO

Ficheiros Secretos: Quero Acreditar

Ana Trindade

Admito que fui uma super fã no início da série. Tresmalhei por volta da quarta temporada – culpa da TVI, que não conseguia manter um horário de transmissão em condições. Vi o primeiro filme e achei o enredo demasiado complicado e com algumas inconsistências.

Fui ver o segundo filme algo contrariada. Ainda pior fiquei.

Descrédito total quando me vejo perante um Fox Mulder barbudo a partilhar o leito matrimonial com uma preconceituosa e religiosa Dana Scully e falam sobre o filho de ambos.

Já admiti que não vi as últimas séries, possivelmente fulcrais para entender porque ambos tiveram um filho, a razão que matou o menino e, já agora, com que idade.

Continua-me a falhar a razão pela qual não há o vislumbre de um único ser de outro planeta, assim como o motivo que leva o Skinner a aparecer nos momentos finais do filme para apenas servir de condutor e mostrar um pistola a um médico russo, que não fala inglês mas agita muito bem os braços.

Quero acreditar que não fui a única a achar este filme um desperdício de tempo. Quero acreditar que os dois olhinhos que dou vão todos para a piada do Bush e do Hoover.

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Olho Vivo

Renato Carreira

Não será fácil adaptar êxitos televisivos ao cinema e, talvez por isso mesmo, os resultados costumam rondar a mediocridade. Além de serem formatos com linguagens diferentes, existirá a dificuldade acrescida de transpor segmentos dispersos de vinte ou trinta minutos para uma sequência única com mais de uma hora. Se a série que se adapta não for actual, haverá ainda mais um trabalho de adaptação a fazer. Olho Vivo, a série, merece a devoção que lhe é dedicada. Com assinatura de Mel Brooks e Buck Henry, as aventuras de Maxwell Smart, agente secreto de competência duvidosa ao serviço de um organismo chamado CONTROL, foram responsáveis por alguns dos melhores momentos na história da comédia televisiva. Tentar alcançar uma fasquia tão elevada era tarefa hercúlea e os apreciadores do original não conseguirão evitar sentir-se desiludidos com esta recriação. Não que seja um filme mau e até consegue ser uma paródia aceitável aos filmes de espionagem. Simplesmente não chega aos calcanhares do original. Há momentos que se aproximam muito, mas são em número reduzido (tão reduzido que estão quase todos no trailer), e nem um Steve Carell perfeitamente integrado no seu elemento consegue quebrar a monotonia que tantas vezes se instala. Resta a nostalgia e os piscares de olho a elementos saudosos como o corredor subterrâneo com a sequência interminável de portas de segurança, o elevador disfarçado de cabina telefónica ou o telefone de sapato.

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notícias

Bernie Mac (1957-2008)

O actor e comediante Bernie Mac faleceu hoje vítima de complicações respiratórias aos 50 anos de idade, encontrando-se já internado para tratar doença de que sofria há vários anos. Após uma carreira bem-sucedida nos palcos da comédia, Mac estreou-se no cinema em 1992, com Mo'Money de Spike Lee, participando também em Ocean's Eleven de Steven Soderbergh e Bad Santa de Terry Zwigoff. Em televisão, The Bernie Mac Show durou de 2001 a 2006 e conquistou vários galardões. 9/8

Em exibiÇÃO

Tropa de Elite

Pedro Figueiredo

Imbuído de espírito olímpico e com pouco que fazer (ainda faltavam umas horas para as finais de sabre feminino), lembrei-me de promover uma sessão de luta na lama. Face à terminante oposição dos poderes anti-democráticos (“Tu atreve-te a sujar a alcatifa!”), optei por realizar o duelo no google. No canto vermelho, tropa elite padilha fascista. Cinquenta e nove mil e setecentos resultados. No canto azul, “dirty harry” fascist contabiliza quarenta e nove mil e quinhentos. Uma retumbante coça, para mais tendo em conta que Clint Eastwood e companhia tinham a seu favor a língua inglesa, e que, vendo bem, sempre são cinco filmes contra um. A competição poderia ter continuado com outros candidatos ao título, mas o árbitro deu a sessão por finda quando começaram os quatrocentos metros estilos.

Até entendo o que seja o fascismo. Concebo a existência de um realizador fascista, de um actor fascista, e até de uma personagem fascista. O que me baralha é o conceito de “filme fascista” apregoado pela crítica. Será conservadorismo da minha parte (ou bolchevismo, eu sei lá…), mas tenho o fascismo como um atributo humano, e a ideia de “um filme fascista” não faz mais sentido do que “um livro pedófilo”, “um disco vegetariano”, ou “uma instalação com ejaculação precoce”. Em Tropa de Elite há gente má, há gente aos tiros, há gente que leva nas trombas, e há uns quantos que morrem com overdoses de chumbo, tudo em narração subjectiva, na perspectiva de uma personagem pouco respeitadora do código de processo penal. Mas nada legitima confundir personagem, obra, autor, mensagem, e audiência. E sem querer fazer destas linhas um assunto sério, até porque o voleibol começa não tarda, sempre tive para mim que a mensagem, em arte, é uma construção da audiência.

Tropa de Elite é um filme de cóbois na favela. Cor local com fartura, montagem moderna, ritmo jeitoso. Os maus são maus. Os bons são maus. O filme é bom e vê-se com agrado. Daí a concluir que a mensagem, a tal, é que Hobbes estava certo e o Padre Américo estava errado, é um passo estapafúrdio, arrogante, e idiota.

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notícias

Morgan Freeman hospitalizado após acidente de viação

O actor encontra-se internado num hospital de Memphis em estado considerado grave depois de vitimado por um acidente de viação na noite de domingo. De acordo com a imprensa americana, Freeman estava lúcido quando os bombeiros o retiraram a custo dos destroços do veículo, tendo mesmo gracejado quando um dos curiosos que observava a cena tentou tirar uma fotografia com o telemóvel, referindo não haver direito a "borlas". 4/8

DVD

Call Girl

Renato Carreira

Quem esperar veneno nesta opinião sobre um dos maiores sucessos na história do cinema português, desengane-se. Call Girl é, sem tirar nem pôr, uma das melhores comédias domésticas de sempre, hilariante como nada que se tenha feito desde os tempos áureos de Vasco Santana e António Silva. Ficamos por aqui.

Uma opinião a sério? Isso já é mais complicado.

Falar a sério sobre Call Girl é difícil como falar a sério sobre aquelas estatuetas de louça em que se puxa um cordelinho e um futebolista ou um fradeco expõem a sua intimidade aos elementos. Mais difícil se tornará se não pudermos usar palavrões. Mais do que os palavrões usados e abusados no próprio filme (esses serão inevitáveis). Em cada duas linhas de diálogo, haverá certamente uma ocorrência de "caralho" ou, em alternativa, de "puta" ou "cabrão". Em cada cinco, não será difícil contabilizar ainda dois derivados de "foder" e um outro palavrão à escolha. Presume-se que estariam no guião, mas tem uma certa graça pensar que foram improvisados pelos actores sérios (a seriedade é algo de muito relativo) que aceitaram participar no flme e assim exprimem a inevitável constatação do esterco em que se viram atolados. Não que os palavrões choquem. Pelo menos, não chocam mais do que a sequência infindável de imbecilidades que vão servindo de banda sonora às boquinhas, olhinhos e projecções de mamilo de Soraia Chaves, que alguém, um dia, sem se saber porquê (mas possivelmente depois de uma noitada tórrida), decidiu que era uma actriz de mérito. Não só não tem qualquer mérito como precisaria de muita coisa para poder aspirar a ser uma actriz, mesmo que má. Precisaria, por exemplo, de abandonar as posturas e trejeitos de quem tenta representar como se posasse para um catálogo de roupa interior. Se o conseguisse fazer, deixar de falar com tom constante de operadora de linha erótica seria um passo relativamente pequeno. No fundo, a senhora limitar-se-á a fazer pela vida (aliás, como a personagem principal do filme) e não se lhe deverá apontar o dedo. Guardem-se os dedos das mãos e dos pés para António-Pedro Vasconcelos e para o desplante de se continuar a armar em herdeiro da nouvelle vague com uma filmografia de mediocridades conscientes e desonestas.

Voltando ao ponto de partida, mantenho que, apesar de tudo, mesmo com o tragicamente inepto argumento policial, Call Girl é o mais hilariante filme português do último meio século, garantindo mais do que uma mão cheia de gargalhadas sonoras. A cena em que a popularucha Maria João Abreu berra repetidas vezes "Ou me fodes ou vais-te embora!" merece ficar registada nos anais (com os vários sentidos que a palavra tenha). O diálogo seguinte, entre Nicolau Breyner e Soraia Chaves no bar de um hotel de luxo, fica como brinde para quem aguentou ler isto tudo até ao fim. Bem-hajam.

Soraia: Estou sem cuecas.

Nicolau: És uma marota.

Soraia: Nem imaginas. Mas ainda há mais.

Nicolau: Mais?

Soraia: Mais. Estou morta por te chupar. Aposto que já estás bem duro para mim. Queres-me foder, não queres? Diz que me queres foder.

Nicolau: Quero. Muito.

Soraia: Não. Quero que digas alto. Quero foder-te toda, Vicky, por favor.

Nicolau: Eu quero foder-te toda, Vicky, por favor.

Soraia: Vem ter comigo daqui a cinco minutos. Ah. Espero que já tenhas percebido, querido. Eu sou uma puta. Cara. Se precisares de levantar dinheiro, tens um Multibanco mesmo à porta.

Classificação:

Call Girl

De: António-Pedro Vasconcelos

Com: Soraia Chaves, Ivo Canelas, Nicolau Breyner

Origem: Ano: 2007

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quote du Jour

Dirty Harry

Nuno Silva

Confesso que até tentei resistir a colocar aqui esta quote, mas admito que é impossível não o fazer. Dirty Harry de Don Siegel é, mais que a confirmação de Clint Eastwood como um “duro” do cinema, a bíblia do “filme de acção”. Harry Callahan, a personagem interpretada por Eastwood é calculista, fria e cruel, no entanto nenhuma destas características impede que tudo o que faz seja mais que justificável. Nunca a brutalidade policial foi tão agradável de se ver.
A quote, repetida até à exaustão desde 1971, continua a rainha dos one liners:

Harry Callahan: I know what you’re thinking. "Did he fire six shots or only five?" Well, to tell you the truth, in all this excitement I kind of lost track myself. But being as this is a .44 Magnum, the most powerful handgun in the world, and would blow your head clean off, you’ve got to ask yourself a question: Do I feel lucky? Well, do ya, punk

notícias

Brad Pitt será um dos sacanas inglórios de Tarantino?

Depois de anos de adiamentos, Inglorious Bastards, o filme que Tarantino mastiga desde, pelo menos, 2001, tem início de produção agendado para Outubro deste ano. O realizador de Pulp Fiction descreve o projecto como um western spaghetti transferido para a Europa devastada pela 2ª Guerra Mundial e fala-se em Brad Pitt e Leonardo Di Caprio para os papéis principais. 31/7

Em exibiÇÃO

O Cavaleiro das Trevas

Renato Carreira

No início, era o caos. A transposição do homem-morcego da banda desenhada onde nasceu para suportes audiovisuais limitava-se a seriados cinematográficos dos anos 40 e à burlesca série televisiva dos anos 60. Foi só onze anos depois do sucesso do Super-Homem de Christopher Reeve que Tim Burton percebeu o que há muito deveria ser óbvio. Que não havia qualquer explicação lógica para manter o outro pilar da DC Comics fora do grande ecrã. Depois de duas memoráveis aventuras nocturnas, veio a era de treva com outros tantos delírios homoeróticos de Joel Schumacher, que serviram apenas para queimar actores e personagens do panteão de Gotham City em execráveis desperdícios de celulóide. Bruce Wayne parecia fadado a manter a máscara e o batmóvel cobrindo-se de pó nas profundezas da batcaverna. A salvação chegou em 2005, quando Christopher Nolan apostou a reputação de visionário conquistada com Memento num filme de super-heróis e saiu vencedor. Mas nem tudo correu bem em Batman Begins. Por um lado, houve a necessidade de fazer uma história de origem para marcar a ruptura com o lixo de Schumacher, por outro, a escassez de vilões que não tivessem sido já explorados. Restava Scarecrow e um obscuro Ra's al Ghul. Cumprido este primeiro passo, os fãs começaram de imediato a salivar pelo capítulo seguinte, liberto já destes constrangimentos e O Cavaleiro das Trevas não se limita a não desiludir, conseguindo superar as expectativas de que fosse apenas um excelente filme de super-heróis. Desde o início da presente "febre" de super-adaptações, é a primeira vez que um filme consegue ultrapassar o seu género (e os filmes de super-heróis são já um género por direito próprio), erigindo-se como uma obra adulta e capaz de agradar muito até a quem habitualmente foge de identidades secretas e super-poderes. O Batman de Christian Bale está à altura do de Michael Keaton (e isso é dizer muito) e, como se não bastasse, há Heath Ledger, que conseguiu despedir-se dos ecrãs e da vida com um papel que o imortalizará como um dos vilões mais memoráveis na história do cinema, ultrapassando por larga distância o Joker de Jack Nicholson (e isso também é dizer muito).

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O Cavaleiro das Trevas

Gonçalo Trindade

Não gostei de Batman Begins. O início prometia muito, mas o filme banalizava-se completamente após a primeia meia-hora em todos os aspectos. E, no geral, Nolan nunca me convenceu muito como cineasta (não, não gostei muito do Memento). Fui, por isso, ver The Dark Knight esperando apenas um bom filme, com uma ou outra boa interpretação. As minhas expectativas estavam longe das que rodearam o filme antes da sua estreia, impermeáveis à excelente recepção que teve da crítica e do público (feito raro, hoje em dia). E foi com baixas expectativas que entrei na sala de cinema praticamente cheia.

Mas é bom. É mesmo muito bom.

The Dark Knight é, acima de tudo, um enorme policial, um filme que redefine tanto o conceito de blockbuster como o de filme de super-heróis.

O elenco faz um trabalho notável e é uma delícia ver a forma como as personagens (e os actores) interagem umas com as outras. Gary Oldman está igual a si mesmo, Bale parece mais seguro no papel de Batman, Aaron Eckhart impressiona como Harvey Dent e Heath Ledger está grandioso e perturbante como Joker. A personagem de Ledger não tem tanto tempo de antena como seria de esperar (exactamente o tempo necessário ao filme e à sua história), mas a sua interpretação é absolutamente espectacular. Bem merece o reconhecimento que tem vindo a ter.

Este é um filme complexo, que desmistifica e humaniza o conceito de herói. É esta complexidade moral que o torna tão importante, tão capaz de redefinir o género a que pertence. As personagens têm uma carga dramática inesperada, e as suas escolhas movem uma história de profundidade absolutamente notável.

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As Crónicas de Nárnia: O Príncipe Caspian

Renato Carreira

Há décadas a servir de refúgio às crianças problemáticas e adultos inseguros que preferem o moralismo judaico-cristão da obra de CS Lewis à glorificação do paganismo nórdico de Tolkien, a mágica terra de Nárnia passou da literatura para o cinema em parto indolor. No segundo filme de uma série que se adivinha longa (são sete livros ao todo), a fórmula permanece próxima do filme original, com animais falantes, criaturas mitológicas e os irmãos Pevensie, novamente transportados do nosso mundo por vontade do divino leão Aslan, uma espécie de Jesus Cristo de quatro patas e com juba. Em vez da pérfida Feiticeira Branca, a ameaça vem agora dos telmarinos, povo que quase exterminou os pacatos narnianos séculos antes e que, agora, com disfarce de espanhóis da era das descobertas, tenta invadir Nárnia para capturar o malogrado Príncipe Caspian, herdeiro legítimo do trono, forçado ao exílio pelo seu desagradável tio Miraz. Como adaptação literária, O Príncipe Caspian dificilmente poderia ser melhor, já como acontecia com O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, e as debilidades que existirem serão mais da responsabilidade do material de origem do que de eventuais falhas de adaptação.

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Eu Servi o Rei de Inglaterra

Renato Carreira

Jan Díte começou como vendedor de salsichas numa estação de comboio checa, ocupação que lhe permitiu descobrir uma curiosa particularidade: a ânsia que qualquer humano sente para catar trocos do chão por mais confortável que seja a sua situação económica e mesmo que seja necessário andar em preparos pouco dignos, de rabo para o ar. Movido pela vontade de subir na vida, Díte vai aproveitando as oportunidades que o destino lhe apresenta, lançando punhados de moedas ao ar por onde vai passando e quando ninguém vê. Felizmente, porque este passatempo lhe sairia um pouco caro, é abençoado pela fortuna e, partindo de origens modestas, consegue chegar longe, cruzando-se com uma galeria de personagens de bizarria variável (incluindo o maître d’ de um requintado hotel de Praga que relata orgulhosamente ter servido a cabeça coroada do título). A história é-nos contada em flashback pelo próprio Díte, velho e empobrecido, quase como se tivesse passado a vida a atirar dinheiro ao ar. Mais do que a sua história, é uma história da Checoslováquia, dos anos que antecederam a invasão de Hitler ao dealbar do comunismo, num tom meio onírico e alheado que faz lembrar Kusturica (mas nem tanto) e que, por vezes, parece perder substância. Ou então é o filme que é demasiado checo e não se poderá ser demasiado português para o alcançar na sua plenitude eslava.

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(Recuso-me a escrever aqui o título português deste filme.)

Renato Carreira

Começo com uma ameaça. Pessoa que traduziu o título de Harold and Kumar Escape from Guantanamo Bay, dirijo-me a ti. Vou descobrir como te chamas, onde moras e far-te-ei uma espera. A seguir, despejo-te um frasco de caramelo inteiro pela cabeça abaixo e atiço-te um formigueiro. De formigas tão más que só existam em documentários da BBC. Depois rio-me enquanto te vejo sofrer. E invento títulos giros para o teu sofrimento. Vai ser um fartote. Nem sequer sei se és a mesma pessoa que baptizou o filme original ou se apenas te limitaste a seguir o molde. Isso não poderá servir-te de desculpa. Além disso, se vier a descobrir que andas há décadas a congeminar títulos desnecessariamente "criativos" apenas porque achas que os filmes se tornam assim mais apelativos para o público nacional (não tornam, apenas para retardados mentais como tu ), terei de te matar. Acredito que a vida humana é preciosa, mas também acredito que há limites. Feita a ameaça, sigamos em frente. É muito fácil olhar para Harold and Kumar Escape from Guantanamo Bay, mesmo com o título original (quem fizer questão de saber qual é o título português, queira consultar a coluna aqui ao lado), e torcer o nariz. Já o era com o filme que o antecedeu (Harold and Kumar Go to White Castle). Mas peço-vos um esforço. Suponhamos que todos os géneros cinematográficos podem produzir bons filmes. Incluindo aqueles géneros que não dão qualquer status a quem diz apreciá-los. Tal como o género da comédia adolescente brejeira. Supondo que esta afirmação absolutamente hipotética fosse verdadeira, dificilmente teríamos melhor exemplo do que o Harold and Kumar original. Original, inteligente na sua baixeza, com situações de comédia real e não apenas sequências intermináveis de rábulas escatológicas e dois protagonistas perfeitos. Este novo capítulo fica uns bons degraus abaixo do seu antecessor, mas vai tendo o apelo acrescido do tema e o prazer malévolo que se tem ao ver um conjunto de assuntos lamentavelmente actuais tratados com tanto arrojo e com uma perspicácia que poderá passar despercebida aos menos atentos.

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Joy Division

Gonçalo Trindade

Joy Division, de Grant Gee, é um notável documentário sobre aquela que foi uma das mais influentes (e, na minha opinião, melhores) bandas dos anos 80. Entrevistando os membros que restam da banda (que formaram depois os também muito conhecidos "New Order"), revisitando a cidade que viu a banda nascer (Manchester dos anos 70), mostrando o percurso da banda, Gee cria um documentário com um verdadeiro poder emocional e narrativo. De facto, toda a influência e toda a qualidade dos Joy Division é aqui revelada, num documentário que mostra não só a banda em si, mas também a sua relevância social. Joy Division é não só sobre a banda que dá o título ao filme, mas também sobre a própria indústria musical da altura, e sobre a forma como a banda se contextualizava dentro da mesma.

Não idolatra, apenas humaniza (tal como Control, complementando-se mutuamente o documentário e o filme de Corbijn) e informa. Tudo isso de forma perfeita e impressionante a nível visual (é um estilo único dentro do género) e sonoro (ouvir aquelas músicas no cinema...). É um documentário talvez tão importante como a banda em si. Imperdível não só para os fãs, mas também para os fãs de música em geral. Ou seja, é para todos. E mostra, de facto, que o legado dos Joy Division se mantém (digam lá se aquele momento com a intersecção entre os New Order e os Joy Division não comove).

É o melhor documentário que jamais poderia ser feito sobre os Joy Division, e um exemplo a seguir para os filmes do género.

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Fixação Oral

(Gilda)

Pedro Figueiredo

Um par de anos mais tarde Sansão teria o seu momento de vingança, quando Orson Welles, em sofisticados preliminares do divórcio que se avizinhava, descolorisse e deitasse abaixo a juba de Rita Hayworth para as filmagens de A Dama de Shangai. Em 1946, porém, Rita era uma fera ruiva que abatia as presas com uma sacudidela de cabelo. E Gilda era anunciada: uma mulher como nunca houvera.

O argumento não é mais do que mediano, e estou a ser simpático. Dois homens, um casino, negócios escuros, uma mulher. Cenários aprazíveis, vestidos elegantes, um strip tease figurado. Mais elemento, menos elemento, é uma história filmada dúzias de vezes. O que torna Gilda um filme digno de nota, o que faz de Gilda mais do que somente Rita, é a perversidade rancorosa que anima as personagens, o desdém, a raiva, a mágoa vingativa, o ciúme, e uma multiplicidade de jogos verbais e visuais que fazem o espectador questionar a sua própria perversidade.

É certo que um charuto, por vezes, é só mesmo um charuto, mas em Gilda fuma-se realmente demasiado. São demasiados indícios, e demasiado óbvios. O primeiro pode passar despercebido, o segundo pode levantar apenas uma vaga suspeita, mas a meio do filme começa a ser difícil conter o impulso de voltar ao início, conferir um diálogo, rever uma cena... E se cada um sabe de si, e Freud sabe de todos, a vós me confesso: para já nem falar nas óbvias referências homossexuais, eu cá contei quatro broches.

Classificação:

Gilda

De: Charles Vidor

Com: Rita Hayworth, Glenn Ford, George Macready

Origem: Ano: 1946

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Leterrier partilha pormenores do seu Choque de Titãs

O realizador francês de O Incrível Hulk falou ao site francês Ecranlarge do seu remake do clássico de 1981. Sem levantar muito o véu, Louis Leterrier foi dizendo que será uma nova abordagem e não um remake fiel, garantindo que, ao contrário de boatos que circulam, não será filmado exclusivamente contra ecrã azul (como sucedeu com 300. Merecedora de destaque é também a intenção anunciada de homenagear o trabalho de Ray Harryhausen, o homem por trás da animação stop-motion responsável em grande parte pelo sucesso do filme original.

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Os Amores de Astrea e de Celadon

Renato Carreira

Algures na Gália romana existe uma região povoada apenas por pastores e druidas. Aldeias inteiras de pastores tocando pífaro e dados à contemplação e aos sonetos e o ocasional mosteiro de druidas e respectivas filhas envoltas em túnicas diáfanas. É nessa região peculiar e nesta realidade histórica duvidosa que se desenrola o romance da bela Astrea e do não menos belo Celadon. Não que os restantes pastores e pastoras sejam uns camafeus. Antes pelo contrário. Todos têm tez clara (menos o único pastor brejeiro e rude, claro está), expressão plácida, cabelos generosos e guarda-roupa de teatro amador elaborado por uma costureira especializada em terilene e sem grandes conhecimentos de história do vestuário. O último filme do veterano Éric Rohmer tem a esperada perfeição plástica, partindo de L'Astrée, romance francês do século XVII, sem tentar aproximar o rocambolesco enredo amoroso da nossa realidade. Quando Astrea decide repelir Celadon por o ter visto atrás de uma árvore na companhia de uma pastora e este, desgostoso, se atira ao rio, sendo resgatado por uma beldade que se afeiçoa a ele e decide mantê-lo preso no seu castelo, não importará sequer que isto tudo nos dê vontade de trepar para o ecrã e incendiar o cenário bucólico para ver se aquela gente se deixa de lirismos. Quem conseguir ignorar esse impulso e sobreviver ao arrastar dos vinte minutos iniciais (pronto... dos quarenta) será premiado com uma experiência cinematográfica de valor artístico indesmentível. Se alguém preferir gauleses mais mexidos, talvez seja melhor ficar-se pelos livros do Astérix.

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Tropa de Elite

Renato Carreira

Depois de Cidade de Deus, o cinema brasileiro parece ter feito uma descoberta. "Quer dizer", diz o senhor produtor brasileiro com aspirações, "que essa violência urbana que nos rodeia não é só motivo para ter vergonha e para morar em condomínios-fortaleza mas também podemos fazer filmes sobre ela? Que legal!" A receita é infalível. Se, para tentar atingir o mesmo realismo e calibre violento, os produtores de Hollywood têm de abandonar o solário e aprovar a mais recente aglomeração de todos os modelos já esgotados, os brasileiros precisarão apenas de abrir uma janela, espreitar para fora e contar os enredos potencias visíveis à vista desarmada. Enquanto tentam não levar um tiro, claro. Porque é assim o Brasil. Sem exageros. Qual Iraque, qual quê! As comparações entre Cidade de Deus e Tropa de Elite ficarão por aqui. Se o primeiro era um entrelaçar de histórias humanas num cenário de violência extrema, o segundo será um entrelaçar de episódios de violência extrema num cenário onde vai havendo um ou outro ser humano (estão lá para servir de alvo). O filme é baseado no livro Elite da Tropa (não é piada, juro), da autoria de um sociólogo e de dois antigos oficiais da temida unidade de elite da polícia militar brasileira, o BOPE, assim chamado porque "bope!" é o som que faz um crânio humano ao ser atingido por uma bala (ou porque significa Batalhão de Operações Policiais Especiais, escolham a explicação mais apetitosa). A história do espartano Capitão Nascimento (Wagner Moura com a sua paradoxal face imberbe) e dos dois jovens e idealistas recrutas do BOPE é sólida e agradará bastante aos apreciadores de cinema balístico, mas, quem esperar reflexão ou a correspondência plena ao mediatismo internacional que o filme traz consigo (venceu o Urso de Ouro em Berlim), talvez saia da sala um pouco desiludido.

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Robert Downey Jr. quase confirmado como o Sherlock Holmes de Guy Ritchie

O realizador Guy Ritchie (Snatch e Lock, Stock and Two Smoking Barrels) tem andado a congeminar uma nova abordagem ao célebre detective, supostamente mais negra e mexida e não tão puramente cerebral como as anteriores, e a sua escolha de protagonista não foi tão elementar como se poderia esperar. Em vez de um actor britânico, Ritchie deseja ver Robert Downey Jr. com o chapéu de caçador e o cachimbo, não se deixando amedrontar pela nacionalidade americana. O actor está a finalizar as negociações com a Warner Bros e o filme terá estreia marcada para 2009.

Darren Aronofsky discute Robocop com a MGM

O desejo de ressuscitar Robocop nos ecrãs já não é novo e tudo indica que o projecto irá mesmo para a frente (já se angariam financiadores). A novidade está no realizador que se tem monstrado interessado em liderar o remake. Darren Aronofsky (com reputação de visionário conquistada com filmes como Pi ou Requiem for a Dream) e a MGM estão em fase de esgrimir ideias e esperam-se novidades para breve. A data provisória de estreia é 2010.

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O Panda do Kung Fu

Renato Carreira

Um dos problemas das grandes produções de animação é que, por vezes, tamanha é a preocupação em aplicar ao máximo todas as potencialidades da tecnologia e em criar bonecos enternecedores (que darão brindes chamativos para os Happy Meals da McDonald's) que se esquece o resto. E o resto será uma história com grau de complexidade que consiga agradar a espectadores de idade superior a três anos, um enredo minimamente racional, personagens com alguma profundidade e situações que suscitem uma gargalhada ocasional e não apenas gemidos de "oooooooooh, que fofinho". Felizmente, O Panda do Kung Fu tem tudo isto e também o tal aproveitamento das imensas potencialidades tecnológicas ao dispor dos animadores dos nossos dias. Jack Black (a voz do panda Po) e Dustin Hoffman (a voz do mestre Shifu) assumem o essencial da empreitada, secundados por um elenco de peso (Angelina Jolie, Jackie Chan, Lucy Liu e os comediantes Seth Rogen e David Cross), ainda que devam ter sido pagos à palavra, visto que nenhum deles diz mais do que meia dúzia de frases durante o filme todo. Quem optar pela versão dobrada, poderá deliciar-se com as vozes de Marco Horácio, José Raposo, Fernanda Serrano e Joaquim de Almeida. No fundo, é como comparar uma ária de Verdi a um peido.

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Plástico

(A Primeira Noite)

Pedro Figueiredo

The Graduate, que recebeu o muito desinteressado título português A Primeira Noite, é um filme sobre angústia, solidão, carência, e plástico. Abre com o regresso de Benjamin (Dustin Hoffman, em início de carreira) a casa dos pais, após ter terminado a universidade, numa sequência que Tarantino viria a homenagear, como soi dizer-se, em Jackie Brown. Benjamin, apavorado e confuso, tenta decidir o que fazer da vida e da carne. Não creio que chegue a decidir porra nenhuma, mas vai fazendo disparates (designadamente sexo) e vai desenvolvendo sentimentos (optimisticamente, amor) ao som de Simon & Garfunkel. Não parece mesmo nada, mas é uma comédia. Uma dorida comédia. O crítico dirá que tal se deve ao facto de a vida ser uma coisa dolorosa mas cómica, ou talvez dolorosa porque cómica. E dirá que é um filme de geração, totalmente datado. Eu,que não sou crítico mas ainda respiro, digo que vi bastantes filmes bem melhores do que este, mas poucos de que goste mais do que deste. Talvez que a frase não faça grande sentido. Talvez que o filme também não. Mas há poucas coisas que façam sentido na vida para além do riso e do plástico.

Serviços de valor acrescentado:

- Art Garfunkel (o Garfunkel dos Simon & Garfunkel) seria, poucos anos volvidos, um dos protagonistas de um outro filme do mesmo Mike Nichols, chamado "Iniciação Carnal". Nunca vi. Tenho medo que o iniciado seja o Garfunkel, e que a carnalidade seja exposta.

- Para os leitores com menos reflexos, com software menos adequado, ou sem pilhas no telecomando: sim, avançando fotograma a fotograma consegue ver-se a Anne Bancroft nua. E não digam que é um duplo, que eu perdi uma tarde nisto e mereço alguma compensação.

Classificação:

A Primeira Noite (The Graduate )

De: Mike Nichols

Com: Anne Bancroft, Dustin Hoffman, Katharine Ross

Origem: Ano: 1967

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quote du Jour

Ghost World

Nuno Silva

Ghost World, a fabulosa BD de Daniel Clowes viu a sua transposição para película ser feita em 2001 pela mão de Terry Zwigoff.
Ignorado por muitos, elogiado por outros, Ghost World é uma visão desencantada do fim da adolescência e de todos os problemas que isso acarreta. Apesar do tom agridoce transmitido praticamente durante toda a acção é impossível não se sentir um certo aperto no estômago quando tudo termina.

Rebecca: This is so bad it’s almost good.
Enid: This is so bad it’s gone past good and back to bad again.

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Houdini - O Último Grande Mágico

Renato Carreira

O Houdini de Death Defying Acts é um homem que se aborrece facilmente. Viajar constantemente pelo mundo, ser acorrentado pelos pés debaixo de água ou com um colete de forças vestido, emergindo triunfante como o maior escapista de todos os tempos acaba por cansar e não admira que o pobre homem procurasse distrair a mente com outros assuntos menos aborrecidos. Por exemplo, com a ambição de provar ou negar a possibilidade de contactar o espírito dos mortos através da oferta de uma recompensa aos médiuns que a isso se prestassem. Para esse fim, recorre ao estratagema de encerrar num cofre um envelope lacrado contendo as últimas palavras que a sua mãe lhe dirigiu e esperando que alguém lhas consiga repetir. A candidata seleccionada para a proeza é Mary McGarvie (Catherine Zeta-Jones), uma vidente, embusteira e dançarina exótica, que costuma actuar em palcos de variedades com a filha Benji (Saoirse Ronan) como assistente. Estariam reunidas as condições para um thriller pseudo-sobrenatural emocionante, uma espécie de novo The Prestige, mas Gillian Armstrong não se quis ficar por aí. O ilusionista obcecado pela mãezinha e a vigarista acabam por se apaixonar e os diálogos melosos sucedem-se com a rapidez de truques de mão. Guy Pearce é competente como Houdini, sem fazer esquecer o desgraçado protagonista de Memento ou o/a Felicia de Priscilla, Rainha do Deserto. Catherine Zeta-Jones está perfeita no papel de Catherine Zeta-Jones, mesmo com o sotaque escocês, e a jovem Saoirse Ronan, que tão bem esteve em Expiação, consegue irritar apenas ligeiramente como uma espécie de Oliver Twist de saias (mas com calções e sem ser órfã).

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dvd

Polícia Violento

Renato Carreira

A postura do cidadão comum perante o agente policial alterna entre dois grandes moldes genéricos. Por um lado, quando nos sentimos oprimidos pela lei e pelos seus executores, achamos que estão por todo o lado, à caça das nossas falhas e com a punição pronta. Quando é o outro extremo do espectro a oprimir-nos, a coisa muda de figura e parece-nos que os polícias nunca estão onde são precisos e nunca são tão duros como deveriam ser. Azuma, o protagonista de Polícia Violento agradaria aos cidadãos que se deixam dominar temporariamente por este segundo estado de espírito. Aos outros, nem por isso. Bem-humorado entre amigos e colegas, sempre de sorriso pronto e palavra afável, irmão extremoso de uma jovem com problemas psiquiátricos, transforma-se perante os malfeitores (e o seu conceito de malfeitor é muito abrangente) num bruto implacável que prefere pontapear alguém nos dentes primeiro e pensar no assunto depois. Primeiro filme realizado por Takeshi Kitano, provavelmente com o recorde para maior número consecutivo de tabefes aplicados a uma mesma personagem (vinte e três).

Classificação:

Polícia Violento (Sono Otoko, Kyôbô ni Tsuki)

De: Takeshi Kitano

Com: Takeshi Kitano, Maiko Kawakami, Makoto Ashikawa

Origem: Ano: 1989

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destaques

Lista: Musicais

Lista: Filmes de Férias

5 Elementos: Heath Ledger

Lista: Filmes de Polícias

Lista: Filmes de Ladrões

5 Elementos: Tom Cruise

A caminho

28 de Agosto

Star Wars: A Guerra dos Clones

4 de Setembro

Shotgun Stories

22 de Agosto

Cthulhu

27 de Agosto

Hamlet 2

12 de Setembro

Burn After Reading

título atroz

-quadro de honra das piores traduções de títulos do cartaz nacional-

Grande Moca, Meu! A Fuga (Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay)

Padrinho... mas Pouco (Made of Honor)

Houdini - O Último Grande Mágico (Death Defying Acts)

Superhero Movie - Um Estrondo de Filme (Superhero Movie)

links

Listas

Musicais

Porque há alturas na vida em que só apetece embarcar num número de música e dança.

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Tommy

1975

De: Ken Russell

Com: Oliver Reed, Roger Daltrey, Elton John

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Grease

1978

De: Randal Kleiser

Com: John Travolta, Olivia Newton-John, Stockard Channing

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Footloose

1984

De: Herbert Ross

Com: Kevin Bacon, John Lithgow, Lori Singer

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Hairspray

2007

De: Adam Shankman

Com: John Travolta, Michelle Pfeiffer, Nikki Blonsky

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Sweeney Todd

2007

De: Tim Burton

Com: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman

Filmes de Férias

Protector solar, fato de banho, toalha e aí vamos nós.

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As Férias do Sr. Hulot

(Les Vacances de Monsieur Hulot)

1953

De: Jacques Tati

Com: Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla

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Conta Comigo

(Stand By Me)

1986

De: Rob Reiner

Com: Wil Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman

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E a Tua Mãe Também

(Y Tu Mamá También)

2001

De: Alfonso Cuarón

Com: Ana López Mercado, Diego Luna, Gael García Bernal

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Que Paródia de Férias

(National Lampoon's Vacation)

1983

De: Harold Ramis

Com: Chevy Chase, Beverly D'Angelo, Randy Quaid

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Hostel

2005

De: Eli Roth

Com: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson

Filmes de Polícias

Não fui eu, senhor agente. Juro que não. Foi aquele tipo com ar suspeito ali do outro lado da rua. A carteira? Achei-a no passeio, pois então. E já não tinha dinheiro dentro. Nem cartões.

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Serpico

1973

De: Sidney Lumet

Com: Al Pacino, John Randolph, Jack Kehoe

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Entre Inimigos

(The Departed)

2006

De: Martin Scorsese

Com: Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Matt Damon

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Robocop

1987

De: Paul Verhoeven

Com: Peter Weller, Nancy Allen, Ronny Cox

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A Fúria da Razão

(Dirty Harry)

1971

De: Don Siegel

Com: Clint Eastwood, Harry Guardino, Reni Santoni

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LA Confidencial

(LA Confidential)

1997

De: Curtis Hanson

Com: Kevin Spacey, Russell Crowe, Guy Pearce

Filmes de Ladrões

A bolsa ou a vida. Hmm? Peço desculpa. Expliquei-me mal. A bolsa e a vida. Ah!

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Cães Danados

(Reservoir Dogs)

1992

De: Quentin Tarantino

Com: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen

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Dois Homens e Um Destino

(Butch Cassidy and the Sundance Kid)

1969

De: George Roy Hill

Com: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross

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Infiltrado

(Inside Man)

2006

De: Spike Lee

Com: Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster

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Ocean's 11

2001

De: Steven Soderbergh

Com: George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon

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O Caso Thomas Crown

(The Thomas Crown Affair)

1999

De: John McTiernan

Com: Pierce Brosnan, Rene Russo, Denis Leary

5 elementos

Heath Ledger

Renato Carreira

Coração de Cavaleiro

(A Knight's Tale)

2001

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Monster's Ball

2001

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Os Irmãos Grimm

(The Brothers Grimm)

2005

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O Segredo de Brokeback Mountain

(Brokeback Mountain)

2005

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O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Knight)

2008

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Tom Cruise

Gonçalo Trindade

Top Gun

1986

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Nascido a 4 de Julho

(Born on the 4th of July)

1989

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De Olhos Bem Fechados

(Eyes Wide Shut)

1999