cartaz

Hellboy 2: O Exército Dourado
(Hellboy 2: The Golden Army)

2008
 
M/12
120 min.
De: Guillermo del Toro
Com: Ron Perlman, Selma Blair,
Doug Jones


Superhero Movie

2008

M/12
85 min.
De: Craig Mazin
Com: Drake Bell, Sara Paxton,
Christopher Macdonald


Aquele Querido Mês de Agosto

2008

M/12
145 min.
De: Miguel Gomes
Com: Sónia Bandeira, Fábio
Oliveira, Joaquim Carvalho


WALL.E
2008

M/6
97 min.
De: Andrew Stanton
Com: Fred Willard, Jeff Garlin,
Ben Burtt (vozes)
     


Olho Vivo
(Get Smart)
2008

M/12
110 min.
De: Peter Segal
Com: Steve Carell, Anne Hathaway,
Dwayne Johnson
     


Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
(The X-Files: I Want to Believe)
2008
 
M/12
104 min.
De: Chris Carter
Com: David Duchovny, Gillian Anderson,
Amanda Peet
     


O Estado Mais Quente
(The Hottest State)
2006

M/12
117 min.
De: Ethan Hawke
Com: Mark Webber, Catalina Sandino
Moreno, Michelle Williams


Baile de Outono
(Sügisball)
2007

M/12
123 min.
De: Veiko Õunpuu
Com: Rain Tolk, Tavi Eelma, Sulevi
Peltola
     


Capítulo 27
(Chapter 27)
2007
 
M/12
100 min.
De: J.P. Schaefer
Com: Jared Leto, Judah Friedlander,
Lindsay Lohan
     


A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão
(The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor)
2008

M/12
114 min.
De: Rob Cohen
Com: Brendan Fraser, Jet Li, Maria
Bello


O Cavaleiro das Trevas
(The Dark Knight)
2008

M/12
150 min.
De: Christopher Nolan
Com: Christian Bale, Heath Ledger,
Aaron Eckhart
     


Eu Servi o Rei de Inglaterra
(Obsluhoval Jsem Anglického Krále)
2006
 
M/12
120 min.
De: Jirí Menzel
Com: Ivan Barnev, Oldrich Kaiser,
Julia Jentsch
     


Macacos no Espaço
(Space Chimps)
2008

M/6
81 min.
De: Kirk De Micco
Com: Andy Samberg, Cheryl Hines,
Jeff Daniels (vozes)


As Crónicas de Nárnia: O Príncipe Caspian
(The Chronicles of Narnia: Prince Caspian)
2008
 
M/6
147 min.
De: Andrew Adamson
Com: Ben Barnes, Skandar Keynes,
William Moseley
     


Joy Division
2007
 
M/16
93 min.
De: Grant Gee
     


Vigilância
(Surveillance)
2008

M/18
98 min.
De: Jennifer Lynch
Com: Julia Ormond, Bill Pullman,
Pell James
     


Grande Moca, Meu! A Fuga
(Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay)
2008

M/16
102 min.
De: Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg
Com: Jon Cho, Kal Penn, Neil Patrick
Harris
     


Tropa de Elite
2007
 
M/16
115 min.
De: José Padilha
Com: Wagner Moura, André Ramiro,
Caio Junqueira
     


Procurado
(Wanted)
2008

M/16
110 min.
De: Timur Bekmambetov
Com: James McAvoy, Morgan Freeman,
Angelina Jolie
    


Os Amores de Astrea e de Celadon
(Les Amours d'Astrée et de Céladon)
2007
  
M/12
109 min.
De: Éric Rohmer
Com: Andy Gillet, Stéphanie
Crayencour, Cécile Cassel
     


O Panda do Kung Fu
(Kung Fu Panda)
2008

M/4
93 min.
De: John Stevenson e Mark Osborne
Com: Jack Black, Dustin Hoffman,
Angelina Jolie (vozes)
     


Hancock
2008

M/12
95 min.
De: Peter Berg
Com: Will Smith, Charlize Theron,
Jason Bateman
     


Houdini – O Último Grande
Mágico
(Death Defying Acts)
2007
 
M/12
97 min.
De: Gillian Armstrong
Com: Catherine Zeta-Jones, Guy
Pearce, Timothy Spall
     


O Meu Irmão é Filho Único
(Mio Fratello è Figlio Unico)
2007
 
M/12
100 min.
De: Daniele Luchetti
Com: Elio Germano, Riccardo Scamarcio,
Angela Finocchiaro
     


Obsessão Mortal
(The Flock)
2007

M/18
105 min.
De: Wai-keung Lau
Com: Richard Gere, Claire Danes,
Ed Ackerman


Padrinho... Mas Pouco
(Made of Honor)
2008
 
M/12
101 min.
De: Paul Weiland
Com: Patrick Dempsey, Michelle
Monaghan, Kevin McKidd


O Acontecimento
(The Happening)
2008
 
M/12
91 min.
De: M. Night Shyamalan
Com: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel,
John Leguizamo
     


Alexandra
(Aleksandra)
2007
 
M/12
95 min.
De: Aleksandr Sokurov
Com: Galina Vishnevskaya, Vasily
Shevtsov, Raisa Gichaeva
     


Sexo e a Cidade
(Sex and the City)
2008

M/12
148 min.
De: Michael Patrick King
Com: Sarah Jessica Parker, Kim
Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon
     


Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
(Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal
Skull)
2008

M/12
124 min.
De: Steven Spielberg
Com: Harrison Ford, Karen Allen,
Cate Blanchett
     


O Segredo de Um Cuscuz
(La Graine et le Mulet)
2007

M/12
151 min.
De: Abdel Kechiche
Com: Habib Boufares, Hafsia Herzi,
Farida Benkhetache
     

|

Em exibiÇÃO

WALL.E
Renato
Carreira

O último capítulo da saga "vamos fazer o melhor
filme de animação computorizada de todos os tempos" em que os estúdios
Pixar se aplicam há vários anos (com uma intromissão gorda, verde
e monstruosa da Dreamworks) e de que não abdicam, nem mesmo depois
das inúmeras ocasiões em que conseguiram atingir o objectivo, é
o mais recente detentor temporário do título. Tantos foram já os
destronados anteriores e tão elevados os seus méritos que se torna
bastante provável que Wall.E esteja
apenas de passagem pelo topo até ser remetido para segundo plano
pela próxima mistura de maravilha tecnológica e competência cinematográfica.
À semelhança de filmes anteriores da Pixar, Wall.E vem
com mensagem-brinde incluída no pacote. Num futuro distante,
a Terra foi evacuada para permitir a limpeza do lixo que a cobre.
Os humanos embarcam numa gigantesca nave espacial, uma espécie
de luxuoso paquete de férias, onde se dedicam ao ócio, à gula e
à imobilidade quase total até que máquinas concebidas para o efeito
terminem a limpeza. Mas o plano
corre mal e o único destes robôs que permanece activo prossegue
a sua solitária e inútil tarefa, adquirindo tiques de personalidade
e tendo por companhia uma barata, o único animal que se vê
na grande lixeira terrestre. Até que, um dia, aterra uma nave
trazendo um robô modernaço e de linhas aerodinâmicas por
quem Wall.E fica perdido de amores.
Classificação: 
Topo

DVD

Em Paris
Renato
Carreira

Numa manhã fria e escura de Inverno, Jonathan
observa a cidade da varanda do apartamento que partilha com o pai
e o irmão. Após alguns segundos, olha brevemente para a câmara
e segue esse olhar com um outro, mais assumido, voltando-se para
o espectador e confessando-nos o que lhe vai na alma. Depois,
volta a remeter-se à sua condição de simples personagem. Diz-nos
que está no seu direito. O irmão, Paul, está profundamente deprimido
depois de um achaque amoroso. Jonathan tenta convencê-lo a vir
numa incursão a uma rua comercial para ver as montras e a decoração
natalícia, como faziam anos antes. Não consegue. Paul fica em casa
a saborear a depressão e procurando escapar às doses de caldo de
galinha receitadas pelo pai. Enquanto isso, a caminho do objectivo,
Jonathan vai tendo uma grande tarde. Acerca de Em Paris,
alguém com vocabulário limitado e pouco talento retórico
(como eu) poderia dizer tratar-se de um filme sobre as relações
que se formam entre as pessoas, entre amantes, entre pais e filhos,
entre irmãos, sobre a forma como essas relações se fracturam, se
reconstroem e voltam a fracturar-se em ciclo de conclusão indefinida
ou mesmo improvável. Mas não vou dizer nada disto. Porque estou
amuado, pronto.
Classificação: 
Em Paris (Dans Paris)
De: Christophe Honoré
Com: Romain Duris , Louis Garrel, Guy Marchand
Origem:  Ano: 2006
Topo

Em exibiÇÃO

Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
Ana Trindade

Admito que fui uma super fã no início
da série.
Tresmalhei por volta da quarta temporada – culpa da TVI,
que não conseguia manter um horário de transmissão
em condições. Vi o primeiro filme e achei o enredo
demasiado complicado e com algumas inconsistências.
Fui ver
o segundo filme algo contrariada. Ainda pior fiquei.
Descrédito total quando me vejo perante
um Fox Mulder barbudo a partilhar o leito matrimonial com uma preconceituosa
e religiosa Dana Scully e falam sobre o filho de ambos.
Já admiti que não vi as últimas séries,
possivelmente fulcrais para entender porque ambos tiveram um filho,
a razão que matou o menino e, já agora, com que idade.
Continua-me a falhar a razão pela qual
não há o
vislumbre de um único ser de outro planeta, assim como o
motivo que leva o Skinner a aparecer nos momentos finais do filme
para apenas servir de condutor e mostrar um pistola a um médico
russo, que não fala inglês mas agita muito bem os
braços.
Quero acreditar que não fui a única a achar este
filme um desperdício de tempo. Quero acreditar que os dois
olhinhos que dou vão todos para a piada do Bush e do Hoover.
Classificação: 
Topo

Olho Vivo
Renato
Carreira

Não será fácil adaptar êxitos
televisivos ao cinema e, talvez por isso mesmo, os resultados costumam
rondar a mediocridade. Além de serem formatos com linguagens
diferentes, existirá a dificuldade acrescida de transpor
segmentos dispersos de vinte ou trinta minutos para uma sequência única
com mais de uma hora. Se a série que se adapta não
for actual, haverá ainda mais um trabalho de adaptação
a fazer. Olho Vivo, a série, merece a devoção
que lhe é dedicada. Com assinatura de Mel Brooks
e Buck Henry, as aventuras de Maxwell Smart, agente secreto de
competência duvidosa ao serviço de um organismo chamado CONTROL,
foram responsáveis por alguns dos melhores momentos na história
da comédia televisiva. Tentar alcançar uma fasquia
tão elevada era tarefa hercúlea e os apreciadores
do original não conseguirão evitar sentir-se desiludidos
com esta recriação. Não que seja um filme
mau e até consegue ser uma paródia aceitável
aos filmes de espionagem. Simplesmente não chega aos calcanhares
do original. Há momentos que se aproximam muito, mas são
em número reduzido (tão reduzido que estão
quase todos no trailer), e nem um Steve Carell perfeitamente
integrado no seu elemento consegue quebrar a monotonia que tantas
vezes se instala. Resta a nostalgia e os piscares de olho a elementos
saudosos como o corredor subterrâneo com a sequência
interminável
de portas de segurança, o elevador disfarçado de
cabina telefónica ou o telefone de sapato.
Classificação: 
Topo

notícias

Bernie Mac (1957-2008)

O actor e comediante Bernie Mac faleceu hoje vítima
de complicações respiratórias aos 50 anos de idade, encontrando-se
já internado para tratar doença de que sofria há
vários anos. Após uma carreira bem-sucedida nos palcos da comédia,
Mac estreou-se no cinema em 1992, com Mo'Money de Spike
Lee, participando também em Ocean's Eleven de Steven
Soderbergh e Bad
Santa de Terry Zwigoff. Em televisão, The Bernie
Mac Show durou de 2001 a 2006 e conquistou vários galardões. 9/8

Em exibiÇÃO

Tropa de Elite
Pedro Figueiredo

Imbuído de espírito olímpico
e com pouco que fazer (ainda faltavam umas horas para as finais
de sabre feminino), lembrei-me de promover uma sessão de
luta na lama. Face à terminante oposição dos
poderes anti-democráticos (“Tu atreve-te a sujar a
alcatifa!”), optei por realizar o duelo no google. No canto
vermelho, tropa elite padilha fascista. Cinquenta e nove mil e
setecentos resultados. No canto azul, “dirty harry” fascist
contabiliza quarenta e nove mil e quinhentos. Uma retumbante coça,
para mais tendo em conta que Clint Eastwood e companhia tinham
a seu favor a língua inglesa, e que, vendo bem, sempre são
cinco filmes contra um. A competição poderia ter
continuado com outros candidatos ao título, mas o árbitro
deu a sessão por finda quando começaram os quatrocentos
metros estilos.
Até entendo o que seja o fascismo. Concebo a existência de um realizador
fascista, de um actor fascista, e até de uma personagem fascista. O que
me baralha é o conceito de “filme fascista” apregoado pela
crítica. Será conservadorismo da minha parte (ou bolchevismo, eu
sei lá…), mas tenho o fascismo como um atributo humano, e a ideia
de “um filme fascista” não faz mais sentido do que “um
livro pedófilo”, “um disco vegetariano”, ou “uma
instalação com ejaculação precoce”. Em Tropa
de Elite há gente má, há gente aos tiros, há gente
que leva nas trombas, e há uns quantos que morrem com overdoses de chumbo,
tudo em narração subjectiva, na perspectiva de uma personagem pouco
respeitadora do código de processo penal. Mas nada legitima confundir
personagem, obra, autor, mensagem, e audiência. E sem querer fazer destas
linhas um assunto sério, até porque o voleibol começa não
tarda, sempre tive para mim que a mensagem, em arte, é uma construção
da audiência.
Tropa de Elite é um filme de cóbois na favela. Cor local com fartura,
montagem moderna, ritmo jeitoso. Os maus são maus. Os bons são
maus. O filme é bom e vê-se com agrado. Daí a concluir que
a mensagem, a tal, é que Hobbes estava certo e o Padre Américo
estava errado, é um passo estapafúrdio, arrogante, e idiota.
Classificação: 
Topo

notícias

Morgan Freeman hospitalizado após acidente
de viação

O actor encontra-se internado num hospital de
Memphis em estado considerado grave depois de vitimado por um acidente
de viação na noite de domingo. De acordo com a imprensa americana,
Freeman estava lúcido quando os bombeiros o retiraram a custo dos
destroços do veículo, tendo mesmo gracejado quando um dos curiosos
que observava a cena tentou tirar uma fotografia com o telemóvel,
referindo não haver direito a "borlas". 4/8

DVD

Call Girl
Renato
Carreira

Quem esperar veneno nesta opinião sobre um dos
maiores sucessos na história do cinema português, desengane-se. Call
Girl é, sem tirar nem pôr, uma das melhores comédias domésticas
de sempre, hilariante como nada que se tenha feito desde os tempos
áureos de Vasco Santana e António Silva. Ficamos por aqui.
Uma opinião a sério? Isso já é mais complicado.
Falar a sério sobre Call Girl é
difícil como falar a sério sobre aquelas estatuetas
de louça em que se puxa um cordelinho e um futebolista ou
um fradeco expõem a sua intimidade aos elementos. Mais difícil
se tornará
se não pudermos usar palavrões. Mais do que os palavrões
usados e abusados no próprio filme (esses serão inevitáveis).
Em cada duas linhas de diálogo, haverá certamente
uma ocorrência de "caralho"
ou, em alternativa, de "puta" ou "cabrão".
Em cada cinco, não
será difícil
contabilizar ainda dois derivados de "foder" e um outro
palavrão
à escolha. Presume-se que estariam no guião, mas
tem uma certa graça pensar que foram improvisados pelos
actores sérios (a seriedade
é algo de muito relativo) que aceitaram participar no flme
e assim exprimem a inevitável constatação
do esterco em que se viram atolados. Não que os palavrões
choquem. Pelo menos, não chocam mais do que
a sequência infindável de imbecilidades que vão
servindo de banda sonora às boquinhas, olhinhos e projecções
de mamilo de Soraia Chaves, que alguém, um dia, sem se
saber porquê (mas possivelmente
depois de uma noitada tórrida), decidiu
que era uma actriz de mérito. Não só não
tem qualquer mérito como precisaria
de muita coisa para poder aspirar a ser uma actriz, mesmo que má.
Precisaria, por exemplo, de abandonar as posturas e trejeitos de
quem tenta representar como se posasse para um catálogo
de roupa interior. Se o conseguisse fazer, deixar de falar com
tom constante de operadora de linha erótica seria um passo
relativamente pequeno. No fundo, a senhora limitar-se-á a fazer
pela vida (aliás, como
a personagem principal do filme) e não se lhe deverá apontar
o dedo. Guardem-se os dedos das mãos e dos pés para
António-Pedro
Vasconcelos e para o desplante de se continuar a armar em
herdeiro da nouvelle
vague com
uma filmografia de mediocridades conscientes e desonestas.
Voltando ao ponto de partida, mantenho que, apesar
de tudo, mesmo com o tragicamente inepto argumento policial, Call
Girl é o mais hilariante filme português do último
meio século, garantindo mais do que uma mão cheia
de gargalhadas sonoras. A cena em que a popularucha Maria João
Abreu berra repetidas vezes "Ou me fodes ou vais-te embora!" merece
ficar registada nos anais (com os vários sentidos que
a palavra tenha). O diálogo seguinte, entre Nicolau Breyner
e Soraia Chaves no bar de um hotel de luxo, fica como brinde
para quem aguentou ler isto tudo até ao fim. Bem-hajam.
Soraia: Estou sem cuecas.
Nicolau: És uma marota.
Soraia: Nem imaginas. Mas ainda há mais.
Nicolau: Mais?
Soraia: Mais. Estou morta por te chupar. Aposto que já estás
bem duro para mim. Queres-me foder, não queres? Diz que me queres
foder.
Nicolau: Quero. Muito.
Soraia: Não. Quero que digas alto. Quero foder-te toda,
Vicky, por favor.
Nicolau: Eu quero foder-te toda, Vicky, por favor.
Soraia: Vem ter comigo daqui a cinco minutos. Ah. Espero que já
tenhas percebido, querido. Eu sou uma puta. Cara. Se precisares
de levantar dinheiro, tens um Multibanco mesmo à porta.
Classificação: 
Call Girl
De: António-Pedro Vasconcelos
Com: Soraia Chaves, Ivo Canelas, Nicolau Breyner
Origem: Ano: 2007
Topo

quote du Jour

Dirty Harry
Nuno
Silva

Confesso que até tentei resistir
a colocar aqui esta quote, mas admito que é impossível
não o fazer. Dirty
Harry de Don
Siegel é, mais que a confirmação de Clint
Eastwood como um “duro” do cinema, a bíblia
do “filme de acção”. Harry Callahan,
a personagem interpretada por Eastwood é calculista,
fria e cruel, no entanto nenhuma destas características
impede que tudo o que faz seja mais que justificável.
Nunca a brutalidade policial foi tão agradável
de se ver.
A quote, repetida até à exaustão
desde 1971, continua a rainha dos one liners:
Harry Callahan: I know what you’re thinking. "Did
he fire six shots or only five?" Well, to tell you the
truth, in all this excitement I kind of lost track myself.
But being as this is a .44 Magnum, the most powerful handgun
in the world, and would blow your head clean off, you’ve
got to ask yourself a question: Do I feel lucky? Well, do ya,
punk

notícias

Brad Pitt será um dos sacanas inglórios
de Tarantino?

Depois de anos de adiamentos, Inglorious Bastards,
o filme que Tarantino mastiga desde, pelo menos, 2001, tem início
de produção agendado para Outubro deste ano. O realizador de Pulp
Fiction descreve o projecto como um western spaghetti transferido
para a Europa devastada pela 2ª Guerra Mundial e fala-se em Brad
Pitt e Leonardo Di Caprio para os papéis principais. 31/7

Em exibiÇÃO

O Cavaleiro das Trevas
Renato
Carreira

No início, era o caos. A transposição
do homem-morcego da banda desenhada onde nasceu para suportes audiovisuais
limitava-se a seriados cinematográficos dos anos 40 e à burlesca
série televisiva
dos anos 60. Foi só onze anos depois do sucesso do Super-Homem
de Christopher Reeve que Tim Burton percebeu o que há muito
deveria ser óbvio. Que não havia qualquer explicação
lógica para manter
o outro pilar da DC Comics fora do grande ecrã. Depois de
duas memoráveis aventuras nocturnas, veio a era de treva
com outros tantos delírios homoeróticos de Joel Schumacher,
que serviram apenas para queimar actores e personagens do panteão
de Gotham City em execráveis desperdícios de celulóide.
Bruce Wayne parecia fadado a manter a máscara e o batmóvel
cobrindo-se de pó nas profundezas
da batcaverna. A salvação chegou em 2005, quando
Christopher Nolan apostou a reputação de visionário
conquistada com Memento num filme de super-heróis e saiu
vencedor. Mas nem tudo correu bem em Batman Begins. Por
um lado, houve a necessidade de fazer uma história de origem para
marcar a ruptura com o lixo de Schumacher, por outro, a escassez
de vilões que não tivessem sido já explorados. Restava Scarecrow
e um obscuro Ra's al Ghul. Cumprido este primeiro passo, os fãs
começaram de imediato a salivar pelo capítulo seguinte, liberto
já destes constrangimentos e O Cavaleiro das Trevas
não se limita a não desiludir, conseguindo superar as expectativas
de que fosse apenas um excelente filme de super-heróis. Desde o
início da presente "febre" de super-adaptações, é a primeira vez
que um filme consegue ultrapassar o seu género (e os filmes de
super-heróis são já um género por direito próprio), erigindo-se
como uma obra adulta e capaz de agradar muito até a quem habitualmente
foge de identidades secretas e super-poderes. O Batman de Christian
Bale está à altura do de Michael Keaton (e isso é dizer muito)
e, como se não bastasse, há Heath Ledger, que conseguiu despedir-se
dos ecrãs e da vida com um papel que o imortalizará como um dos
vilões mais memoráveis na história do cinema, ultrapassando por
larga distância o Joker de Jack Nicholson (e isso também é dizer
muito).
Classificação: 
Topo

O Cavaleiro das Trevas
Gonçalo
Trindade
Não gostei de Batman Begins. O
início
prometia muito, mas o filme banalizava-se completamente após
a primeia meia-hora em todos os aspectos. E, no geral, Nolan
nunca me convenceu muito como cineasta (não, não
gostei muito do Memento). Fui, por isso, ver The Dark
Knight esperando apenas um bom filme,
com uma ou outra boa interpretação. As minhas expectativas
estavam longe das que rodearam o filme antes da sua estreia, impermeáveis à excelente
recepção que teve da crítica e do público
(feito raro, hoje em dia). E foi com baixas expectativas que
entrei na sala de cinema praticamente cheia.
Mas é bom. É mesmo muito bom.
The Dark Knight é, acima de tudo,
um enorme policial, um filme que redefine tanto o conceito de blockbuster como o de filme de super-heróis.
O elenco faz um trabalho notável
e é uma delícia ver a forma como as personagens (e
os actores) interagem umas com as outras. Gary Oldman está igual
a si mesmo, Bale parece mais seguro no papel de Batman, Aaron Eckhart
impressiona como Harvey Dent e Heath Ledger está
grandioso e perturbante como Joker. A personagem de Ledger não
tem tanto tempo de antena como seria de esperar (exactamente
o tempo necessário ao filme e à sua história),
mas a sua interpretação é absolutamente
espectacular. Bem merece o reconhecimento que tem vindo a ter.
Este é um filme complexo, que desmistifica
e humaniza o conceito de herói. É esta complexidade
moral que o torna tão importante, tão
capaz de redefinir o género a que pertence. As personagens
têm
uma carga dramática inesperada, e as suas escolhas movem
uma história de profundidade absolutamente notável.
Classificação: 
Topo

As Crónicas de Nárnia: O Príncipe Caspian
Renato
Carreira

Há décadas a servir de refúgio às
crianças problemáticas
e adultos inseguros que preferem o moralismo judaico-cristão
da obra de CS Lewis à glorificação do paganismo
nórdico de Tolkien,
a mágica terra de Nárnia passou da literatura para
o cinema em parto indolor. No segundo filme de uma série
que se adivinha longa (são sete livros ao todo), a fórmula
permanece próxima do filme
original, com animais falantes, criaturas mitológicas e
os irmãos
Pevensie, novamente transportados do nosso mundo por vontade do
divino leão Aslan, uma espécie de Jesus Cristo de
quatro patas e com juba. Em vez da pérfida Feiticeira Branca,
a ameaça vem agora
dos telmarinos, povo que quase exterminou os pacatos narnianos
séculos
antes e que, agora, com disfarce de espanhóis da era
das descobertas, tenta invadir Nárnia para capturar o malogrado
Príncipe Caspian,
herdeiro legítimo do trono, forçado ao exílio
pelo seu desagradável
tio Miraz. Como adaptação literária, O
Príncipe Caspian dificilmente
poderia ser melhor, já como acontecia com O Leão,
a Feiticeira e o Guarda-Roupa, e as debilidades que existirem
serão mais da responsabilidade do material de origem do
que de eventuais falhas de adaptação.
Classificação: 
Topo

Eu Servi o Rei de Inglaterra
Renato
Carreira

Jan Díte começou como vendedor de
salsichas numa estação de comboio checa, ocupação
que lhe permitiu descobrir uma curiosa particularidade: a ânsia
que qualquer humano sente para catar trocos do chão por
mais confortável que seja a sua situação económica
e mesmo que seja necessário andar em preparos pouco dignos,
de rabo para o ar. Movido pela vontade de subir na vida, Díte
vai aproveitando as oportunidades que o destino lhe apresenta,
lançando
punhados de moedas ao ar por onde vai passando e quando ninguém
vê. Felizmente, porque este
passatempo lhe sairia um pouco caro, é abençoado
pela fortuna e, partindo de origens modestas, consegue chegar longe,
cruzando-se com uma galeria de personagens de bizarria variável
(incluindo o maître
d’ de um requintado hotel de Praga que relata orgulhosamente
ter servido a cabeça coroada do título). A história é-nos
contada em flashback pelo próprio Díte, velho e empobrecido,
quase como se tivesse passado a vida a atirar dinheiro ao ar. Mais
do que a sua história, é uma história
da Checoslováquia, dos anos que antecederam a invasão
de Hitler ao dealbar do comunismo, num tom meio onírico
e alheado que faz lembrar Kusturica (mas nem tanto) e que, por
vezes, parece perder substância. Ou então é o
filme que é demasiado checo e não se poderá ser
demasiado português
para o alcançar na sua plenitude eslava.
Classificação: 
Topo

(Recuso-me a escrever aqui o título português
deste filme.)
Renato
Carreira

Começo com uma ameaça. Pessoa que traduziu o título
de Harold
and Kumar Escape from Guantanamo Bay, dirijo-me a ti. Vou
descobrir como te chamas, onde moras e far-te-ei uma espera.
A seguir, despejo-te um frasco de caramelo inteiro pela cabeça
abaixo e atiço-te um formigueiro. De formigas tão más que só
existam em documentários da BBC. Depois rio-me enquanto te vejo
sofrer. E invento títulos giros para o teu sofrimento. Vai ser
um fartote. Nem sequer sei se és a mesma pessoa que baptizou
o filme original ou se apenas te limitaste a seguir o molde.
Isso não poderá servir-te de desculpa. Além disso, se vier a
descobrir que andas há décadas a congeminar títulos desnecessariamente
"criativos" apenas porque achas que os filmes se tornam assim
mais apelativos para o público nacional (não tornam, apenas para
retardados mentais como tu ), terei de te matar.
Acredito que a vida humana é preciosa, mas também acredito que
há limites. Feita a ameaça, sigamos em frente. É muito fácil
olhar para Harold
and Kumar Escape from Guantanamo Bay, mesmo com o título original (quem
fizer questão de saber qual é o título português, queira consultar
a coluna aqui ao lado), e
torcer o nariz. Já o era com o filme que o antecedeu (Harold
and Kumar Go to White Castle). Mas peço-vos um esforço. Suponhamos
que todos os géneros cinematográficos podem produzir bons filmes.
Incluindo aqueles géneros que não dão qualquer status a quem diz
apreciá-los. Tal como o género da comédia adolescente brejeira.
Supondo que esta afirmação absolutamente hipotética fosse verdadeira,
dificilmente teríamos melhor exemplo do que o Harold
and Kumar original.
Original, inteligente na sua baixeza, com situações de
comédia real e não apenas sequências intermináveis de rábulas escatológicas
e dois protagonistas perfeitos. Este novo capítulo fica uns bons
degraus abaixo do seu antecessor, mas vai tendo o apelo acrescido
do tema e o prazer malévolo que se tem ao ver um conjunto de assuntos
lamentavelmente actuais tratados com tanto arrojo e com uma perspicácia
que poderá passar despercebida aos menos atentos.
Classificação: 
Topo

Joy Division
Gonçalo
Trindade

Joy Division, de Grant Gee, é um
notável documentário sobre aquela que foi uma das
mais influentes (e, na minha opinião, melhores) bandas dos
anos 80. Entrevistando os membros que restam da banda (que formaram
depois os também muito conhecidos "New Order"),
revisitando a cidade que viu a banda nascer (Manchester dos anos
70), mostrando o percurso da banda, Gee cria um documentário
com um verdadeiro poder emocional e narrativo. De facto, toda a
influência
e toda a qualidade dos Joy Division é aqui revelada, num
documentário que mostra não só a banda em
si, mas também a sua relevância social. Joy
Division é não só sobre a banda
que dá o título ao filme, mas também sobre
a própria
indústria musical da altura, e sobre a forma como a banda
se contextualizava dentro da mesma.
Não idolatra, apenas humaniza (tal como
Control, complementando-se mutuamente o documentário
e o filme de Corbijn) e informa. Tudo isso de forma
perfeita e impressionante a nível visual (é um
estilo único dentro do género) e sonoro (ouvir
aquelas músicas no cinema...). É um
documentário talvez tão importante como a banda em
si. Imperdível não só para os fãs,
mas também para os fãs de música em
geral. Ou seja, é para todos. E mostra, de facto, que o
legado dos Joy Division se mantém (digam lá se aquele
momento com a intersecção entre os New Order e os
Joy Division não comove).
É o melhor documentário que jamais
poderia ser feito sobre os Joy Division, e um exemplo a seguir
para os filmes do género.
Classificação: 
Topo

DVD

Fixação Oral
(Gilda)
Pedro Figueiredo

Um par de anos mais tarde Sansão teria
o seu momento de vingança, quando Orson Welles, em sofisticados
preliminares do divórcio que se avizinhava, descolorisse
e deitasse abaixo a juba de Rita Hayworth para as filmagens de
A Dama de Shangai. Em 1946, porém, Rita era uma fera ruiva
que abatia as presas com uma sacudidela de cabelo. E Gilda era
anunciada: uma mulher como nunca houvera.
O argumento não é mais do que mediano, e estou a ser simpático.
Dois homens, um casino, negócios escuros, uma mulher. Cenários
aprazíveis, vestidos elegantes, um strip tease figurado. Mais elemento,
menos elemento, é uma história filmada dúzias de vezes.
O que torna Gilda um filme digno de nota, o que faz de Gilda mais do que somente
Rita, é a perversidade rancorosa que anima as personagens, o desdém,
a raiva, a mágoa vingativa, o ciúme, e uma multiplicidade de jogos
verbais e visuais que fazem o espectador questionar a sua própria perversidade.
É certo que um charuto, por vezes, é só mesmo um charuto,
mas em Gilda fuma-se realmente demasiado. São demasiados indícios,
e demasiado óbvios. O primeiro pode passar despercebido, o segundo pode
levantar apenas uma vaga suspeita, mas a meio do filme começa a ser difícil
conter o impulso de voltar ao início, conferir um diálogo, rever
uma cena... E se cada um sabe de si, e Freud sabe de todos, a vós me confesso:
para já nem falar nas óbvias referências homossexuais, eu
cá contei quatro broches.
Classificação: 
Gilda
De: Charles Vidor
Com: Rita Hayworth, Glenn Ford, George Macready
Origem: Ano: 1946
Topo

notícias

Leterrier partilha pormenores do
seu Choque de Titãs

O realizador francês de O Incrível
Hulk falou
ao site francês Ecranlarge do
seu remake do clássico de 1981. Sem levantar muito o véu,
Louis Leterrier foi dizendo que será uma nova abordagem
e não um remake fiel, garantindo que, ao contrário
de boatos que circulam, não será filmado exclusivamente
contra ecrã azul (como
sucedeu com 300. Merecedora de destaque é também
a intenção
anunciada de homenagear o trabalho de Ray Harryhausen, o homem
por trás da animação stop-motion responsável
em grande parte pelo sucesso do filme original.

Em
exibiÇÃO

Os Amores de Astrea e de Celadon
Renato
Carreira

Algures na Gália romana existe uma região
povoada apenas por pastores e druidas. Aldeias inteiras de pastores
tocando pífaro e dados à contemplação
e aos sonetos e o ocasional mosteiro de druidas e respectivas filhas
envoltas em túnicas diáfanas. É
nessa região peculiar e nesta realidade histórica
duvidosa que se desenrola o romance da bela Astrea e do não
menos belo Celadon. Não que os restantes pastores e pastoras
sejam uns camafeus. Antes pelo contrário. Todos têm
tez clara (menos o único pastor brejeiro
e rude, claro está), expressão plácida, cabelos
generosos e guarda-roupa de teatro amador elaborado por uma costureira
especializada em terilene e sem grandes conhecimentos de história
do vestuário.
O último filme do veterano Éric Rohmer tem a esperada
perfeição
plástica,
partindo de L'Astrée,
romance francês do século XVII, sem tentar aproximar
o rocambolesco enredo amoroso da nossa realidade. Quando Astrea
decide repelir Celadon por o ter visto atrás de uma árvore
na companhia de uma pastora e este, desgostoso, se atira ao rio,
sendo resgatado por uma beldade que se afeiçoa a ele e decide
mantê-lo preso no
seu castelo, não importará sequer que isto tudo nos
dê vontade
de trepar para o ecrã e incendiar o cenário bucólico
para ver se aquela gente se deixa de lirismos. Quem conseguir ignorar
esse impulso e sobreviver ao arrastar dos vinte minutos iniciais
(pronto... dos quarenta) será premiado com uma experiência
cinematográfica
de valor artístico indesmentível. Se alguém preferir
gauleses mais mexidos, talvez seja melhor ficar-se pelos livros
do Astérix.
Classificação: 
Topo

Tropa de Elite
Renato
Carreira

Depois de Cidade de Deus, o cinema brasileiro
parece ter feito uma descoberta. "Quer dizer", diz o senhor produtor
brasileiro com aspirações, "que essa violência urbana que nos rodeia
não é só motivo para ter vergonha e para morar em condomínios-fortaleza
mas também podemos fazer filmes sobre ela? Que legal!" A receita
é infalível. Se, para tentar atingir o mesmo realismo e calibre
violento, os produtores de Hollywood têm de abandonar o solário
e aprovar a mais recente aglomeração de todos os modelos já esgotados,
os brasileiros precisarão apenas de abrir uma janela, espreitar
para fora e contar os enredos potencias visíveis à vista desarmada.
Enquanto tentam não levar um tiro, claro. Porque é assim o Brasil.
Sem exageros. Qual Iraque, qual quê! As comparações entre Cidade
de Deus e Tropa
de Elite ficarão por aqui. Se o primeiro era um entrelaçar
de histórias humanas num cenário de violência extrema, o segundo
será um entrelaçar de episódios de violência extrema num cenário
onde vai havendo um ou outro ser humano (estão lá para servir
de alvo). O filme é baseado no livro Elite da Tropa (não
é piada, juro), da autoria de um sociólogo e de dois antigos oficiais
da temida unidade de elite da polícia militar brasileira, o BOPE,
assim chamado porque "bope!" é o som que faz um crânio
humano ao ser atingido por uma bala (ou porque significa Batalhão
de Operações Policiais Especiais, escolham a explicação mais apetitosa).
A história do espartano Capitão Nascimento (Wagner Moura com a
sua paradoxal face imberbe) e dos dois
jovens e idealistas recrutas do BOPE é sólida e agradará
bastante aos apreciadores de cinema balístico, mas, quem esperar
reflexão ou a correspondência plena ao mediatismo internacional
que o filme traz consigo (venceu o Urso de Ouro em Berlim), talvez
saia da sala um pouco desiludido.
Classificação: 
Topo

notícias

Robert Downey Jr. quase confirmado como
o Sherlock Holmes de Guy Ritchie

O realizador Guy Ritchie (Snatch e Lock,
Stock and Two Smoking Barrels) tem andado a congeminar
uma nova abordagem ao célebre detective, supostamente mais negra
e mexida e não tão puramente cerebral como as anteriores, e a
sua escolha de protagonista não foi tão elementar como se poderia
esperar. Em vez de um actor britânico, Ritchie deseja ver Robert
Downey Jr. com o chapéu de caçador e o cachimbo, não se deixando
amedrontar pela nacionalidade americana. O actor está a finalizar
as negociações com a Warner Bros e o filme terá estreia marcada
para 2009.

Darren Aronofsky discute Robocop com
a MGM

O desejo de ressuscitar Robocop nos ecrãs já não
é novo e tudo indica que o projecto irá mesmo para a frente (já
se angariam financiadores). A novidade está no realizador que se
tem monstrado interessado em liderar o remake. Darren Aronofsky
(com reputação de visionário conquistada com filmes como Pi
ou Requiem for a Dream) e a MGM estão em fase de
esgrimir ideias e esperam-se novidades para breve. A data provisória
de estreia é 2010.

Em
exibiÇÃO

O Panda do Kung Fu
Renato
Carreira

Um dos problemas das grandes produções
de animação
é que, por vezes, tamanha é a preocupação
em aplicar ao máximo
todas as potencialidades da tecnologia e em criar bonecos enternecedores
(que darão brindes chamativos para os Happy Meals da McDonald's)
que se esquece o resto. E o resto será uma história
com grau de complexidade que consiga agradar a espectadores de
idade superior a três anos, um enredo minimamente racional,
personagens com alguma profundidade e situações que
suscitem uma gargalhada ocasional e não apenas gemidos de "oooooooooh,
que fofinho". Felizmente, O
Panda do Kung Fu tem tudo isto e também o tal aproveitamento
das imensas potencialidades tecnológicas ao dispor dos animadores
dos nossos dias. Jack Black (a voz do panda Po) e Dustin Hoffman
(a voz do mestre Shifu) assumem o essencial da empreitada, secundados
por um elenco de peso (Angelina Jolie, Jackie Chan, Lucy Liu e
os comediantes Seth Rogen e David Cross), ainda que devam ter sido
pagos à palavra, visto que nenhum deles diz mais do que
meia dúzia
de frases durante o filme todo. Quem optar pela versão dobrada,
poderá deliciar-se com as vozes de Marco Horácio,
José Raposo,
Fernanda Serrano e Joaquim de Almeida. No fundo, é como
comparar uma ária de Verdi a um peido.
Classificação: 
Topo

DVD

Plástico
(A Primeira Noite)
Pedro
Figueiredo

The Graduate, que recebeu o muito desinteressado
título português A Primeira
Noite, é um
filme sobre angústia, solidão, carência, e
plástico. Abre com o regresso de Benjamin (Dustin Hoffman,
em início de carreira) a casa dos pais, após ter
terminado a universidade, numa sequência que Tarantino viria
a homenagear, como soi dizer-se, em Jackie Brown. Benjamin, apavorado
e confuso, tenta decidir o que fazer da vida e da carne. Não
creio que chegue a decidir porra nenhuma, mas vai fazendo disparates
(designadamente sexo) e vai desenvolvendo sentimentos (optimisticamente,
amor) ao som de Simon & Garfunkel. Não parece mesmo
nada, mas é uma comédia. Uma dorida comédia.
O crítico dirá que tal se deve ao facto de a vida
ser uma coisa dolorosa mas cómica, ou talvez dolorosa porque
cómica. E dirá que é um filme de geração,
totalmente datado. Eu,que não sou crítico mas ainda
respiro, digo que vi bastantes filmes bem melhores do que este,
mas poucos de que goste mais do que deste. Talvez que a frase não
faça grande sentido. Talvez que o filme também não.
Mas há poucas coisas que façam sentido na vida para
além do riso e do plástico.
Serviços de valor
acrescentado:
- Art Garfunkel (o Garfunkel dos Simon & Garfunkel)
seria, poucos anos volvidos, um dos protagonistas de um outro filme
do mesmo Mike Nichols, chamado "Iniciação
Carnal". Nunca vi. Tenho medo que o iniciado seja o Garfunkel, e que a carnalidade
seja exposta.
- Para os leitores com menos reflexos, com software
menos adequado, ou sem pilhas no telecomando: sim, avançando
fotograma a fotograma consegue ver-se a Anne Bancroft nua. E não
digam que é um duplo, que eu perdi uma
tarde nisto e mereço alguma compensação.
Classificação: 
A Primeira Noite (The Graduate )
De: Mike Nichols
Com: Anne Bancroft, Dustin Hoffman, Katharine
Ross
Origem: Ano: 1967
Topo

quote du Jour

Ghost World
Nuno
Silva

Ghost
World, a fabulosa BD de Daniel
Clowes viu a sua transposição para película
ser feita em 2001 pela mão de Terry
Zwigoff.
Ignorado por muitos, elogiado por outros, Ghost World é uma
visão desencantada do fim da adolescência e de todos
os problemas que isso acarreta. Apesar do tom agridoce transmitido
praticamente durante toda a acção é impossível
não se sentir um certo aperto no estômago quando tudo
termina.
Rebecca: This is so bad it’s almost good.
Enid: This is so bad it’s gone past good and back to bad again.
Topo

Em
exibiÇÃO

Houdini
- O Último Grande Mágico
Renato Carreira

O
Houdini de Death Defying Acts é um homem que
se aborrece facilmente. Viajar constantemente pelo mundo, ser
acorrentado pelos pés debaixo de água ou com um
colete de forças
vestido, emergindo
triunfante como o maior escapista de todos os tempos acaba
por cansar e não admira que o pobre homem procurasse distrair
a mente com outros assuntos menos aborrecidos. Por exemplo, com
a ambição de provar ou negar a possibilidade de
contactar o espírito dos mortos
através da oferta de uma recompensa aos médiuns
que a isso se prestassem. Para esse fim, recorre ao
estratagema de encerrar num cofre um envelope lacrado contendo
as últimas palavras que a sua mãe lhe dirigiu e
esperando que alguém lhas consiga repetir. A candidata
seleccionada para a proeza é Mary McGarvie (Catherine
Zeta-Jones), uma vidente, embusteira e dançarina exótica,
que costuma actuar em palcos de variedades com a filha Benji
(Saoirse Ronan) como assistente. Estariam reunidas as condições
para um thriller pseudo-sobrenatural emocionante, uma espécie
de novo The Prestige, mas Gillian Armstrong não
se quis ficar por aí. O ilusionista obcecado pela mãezinha
e a vigarista acabam por se apaixonar e os diálogos melosos
sucedem-se com a rapidez de truques de mão. Guy Pearce é competente
como Houdini, sem fazer esquecer o desgraçado protagonista
de Memento ou o/a Felicia de Priscilla, Rainha do
Deserto. Catherine Zeta-Jones está perfeita no papel
de Catherine Zeta-Jones, mesmo com o sotaque escocês, e
a jovem Saoirse Ronan, que tão bem esteve em Expiação,
consegue irritar apenas ligeiramente como uma espécie
de Oliver Twist de saias (mas com calções e sem
ser órfã).
Classificação: 
Topo

dvd

Polícia Violento
Renato
Carreira

A postura do cidadão comum perante o agente
policial alterna entre dois grandes moldes genéricos. Por
um lado, quando nos sentimos oprimidos pela lei e pelos seus executores,
achamos que estão por todo o lado, à caça
das nossas falhas e com a punição
pronta. Quando é o outro extremo do espectro a oprimir-nos,
a coisa muda de figura e parece-nos que os polícias nunca
estão onde são
precisos e nunca são tão duros como deveriam ser.
Azuma, o protagonista de Polícia Violento agradaria
aos cidadãos que
se deixam dominar temporariamente por este segundo estado de espírito.
Aos outros, nem por isso. Bem-humorado entre amigos e colegas,
sempre de sorriso pronto e palavra afável, irmão
extremoso de uma jovem com problemas psiquiátricos, transforma-se
perante os malfeitores (e o seu conceito de malfeitor é muito
abrangente) num bruto implacável
que prefere pontapear alguém nos dentes primeiro e pensar
no assunto depois. Primeiro filme realizado por Takeshi Kitano,
provavelmente com o recorde para maior número consecutivo
de tabefes aplicados a uma mesma personagem (vinte e três).
Classificação: 
Polícia Violento (Sono Otoko, Kyôbô ni Tsuki)
De: Takeshi Kitano
Com: Takeshi Kitano, Maiko Kawakami, Makoto Ashikawa
Origem: Ano: 1989
Topo

|
destaques
Lista: Musicais
Lista: Filmes
de Férias
5 Elementos: Heath
Ledger
Lista: Filmes
de Polícias
Lista: Filmes
de Ladrões
5 Elementos: Tom Cruise

A caminho

28 de Agosto
Star Wars: A Guerra dos Clones

4 de Setembro
Shotgun Stories


22 de Agosto
Cthulhu

27 de Agosto
Hamlet 2
12 de Setembro
Burn After Reading

título atroz
-quadro de honra das piores traduções de títulos
do cartaz nacional-
Grande Moca, Meu! A Fuga (Harold & Kumar
Escape from Guantanamo Bay)
Padrinho... mas Pouco (Made of Honor)
Houdini - O Último Grande
Mágico (Death Defying
Acts)
Superhero Movie - Um Estrondo de Filme (Superhero
Movie)

links

Cartaz
Cinedoc

Listas
Musicais
Mário
Pereira
Porque há alturas na vida em que só apetece
embarcar num número de música e dança.
*
Tommy

1975
De: Ken Russell
Com: Oliver Reed, Roger Daltrey,
Elton John
*
Grease

1978
De: Randal Kleiser
Com: John Travolta, Olivia Newton-John,
Stockard Channing
*
Footloose

1984
De: Herbert Ross
Com: Kevin Bacon, John Lithgow,
Lori Singer
*
Hairspray

2007
De: Adam Shankman
Com: John Travolta, Michelle Pfeiffer,
Nikki Blonsky
*
Sweeney Todd

2007
De: Tim Burton
Com: Johnny Depp, Helena Bonham
Carter, Alan Rickman

Filmes
de Férias
Renato
Carreira
Protector solar, fato de banho, toalha e aí vamos
nós.
*
As Férias do Sr. Hulot
(Les Vacances de Monsieur Hulot)

1953
De: Jacques Tati
Com: Jacques Tati, Nathalie Pascaud,
Micheline Rolla
*
Conta Comigo
(Stand By Me)

1986
De: Rob Reiner
Com: Wil Wheaton, River Phoenix,
Corey Feldman
*
E a Tua Mãe Também
(Y Tu Mamá También)

2001
De: Alfonso Cuarón
Com: Ana López Mercado, Diego
Luna, Gael García Bernal
*
Que Paródia de Férias
(National Lampoon's Vacation)

1983
De: Harold Ramis
Com: Chevy Chase, Beverly D'Angelo,
Randy Quaid
*
Hostel

2005
De: Eli Roth
Com: Jay Hernandez, Derek Richardson,
Eythor Gudjonsson

Filmes
de Polícias
Renato
Carreira
Não fui eu, senhor agente. Juro que não. Foi aquele
tipo com ar suspeito ali do outro lado da rua. A carteira? Achei-a
no passeio, pois então. E já não tinha dinheiro dentro. Nem cartões.
*
Serpico

1973
De: Sidney Lumet
Com: Al Pacino, John Randolph,
Jack Kehoe
*
Entre Inimigos
(The Departed)

2006
De: Martin Scorsese
Com: Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson,
Matt Damon
*
Robocop

1987
De: Paul Verhoeven
Com: Peter Weller, Nancy Allen,
Ronny Cox
*
A Fúria da Razão
(Dirty Harry)

1971
De: Don Siegel
Com: Clint Eastwood, Harry Guardino,
Reni Santoni
*
LA Confidencial
(LA Confidential)

1997
De: Curtis Hanson
Com: Kevin Spacey, Russell Crowe,
Guy Pearce

Filmes
de Ladrões
Renato
Carreira
A bolsa ou a vida. Hmm? Peço desculpa.
Expliquei-me mal. A bolsa e a vida. Ah!
*
Cães Danados
(Reservoir Dogs)

1992
De: Quentin Tarantino
Com: Harvey Keitel, Tim Roth,
Michael Madsen
*
Dois Homens e Um Destino
(Butch Cassidy and the Sundance Kid)

1969
De: George Roy Hill
Com: Paul Newman, Robert Redford,
Katharine Ross
*
Infiltrado
(Inside Man)

2006
De: Spike Lee
Com: Denzel Washington, Clive
Owen, Jodie Foster
*
Ocean's 11

2001
De: Steven
Soderbergh
Com: George Clooney, Brad Pitt,
Matt Damon
*
O Caso Thomas Crown
(The Thomas Crown Affair)

1999
De: John McTiernan
Com: Pierce Brosnan, Rene Russo,
Denis Leary
5 elementos
Heath
Ledger
Renato
Carreira

Coração de Cavaleiro
(A Knight's Tale)
2001
    
*

Monster's Ball
2001
     
*

Os Irmãos Grimm
(The Brothers Grimm)
2005
    
*

O Segredo de Brokeback Mountain
(Brokeback Mountain)
2005
     
*

O Cavaleiro das Trevas
(The Dark Knight)
2008
     
*
Tom
Cruise
Gonçalo Trindade

Top Gun
1986
     
*

Nascido a 4 de Julho
(Born on the 4th of July)
1989
     
*

De Olhos Bem Fechados
(Eyes Wide Shut)
1999

|